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Mórmons gays do Século 19

 

 

O historiador mórmon D. Michael Quinn

 

 

Hugo Salinas

 

Em 1996 D. Michael Quinn publicou, em inglês, A dinâmica entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos no Século 19: O exemplo mórmon. Este libro conta a historia de alguns mórmons do Século 19 que desenvolveram intensas amizades com pessoas do mesmo sexo ou que foram homossexuais.

No Século  19 não existia a homofobia de hoje em dia. Os homens ou as mulheres podiam abraçar-se, beijar-se em público, e desenvolver amizades de muita intensidade emocional sem que os taxa-se de homossexuais. Na Igreja Mórmon houve casos de homens e mulheres que, em lugar de casar-se, preferiram viver com um companheiro ou uma companheira do mesmo sexo. Também houve casos de homossexualidade, não entre os membros, senão ademais entre as autoridades gerais da Igreja.

Este livro conta a história de Evan Stephens (1854-1930), que escreveu muitos hinos da Igreja e foi diretor do Coro do Tabernáculo por muitos anos (ver hinos 8, 12, 19, 25, 110, 149, 158 e 166). Evan nunca se casou, porém desenvolveu intensas amizades com vários jovens que viveram com ele em diferentes épocas e que fazia de amigos e acompanhantes. Com o passar dos anos vários destes jovens sairam como misisonáiros, se casaram, e se mudaram da casa de Evan, porém o Diretor do Coro sempre encontrava outro jovem para ocupar o lugar do que se havia ido. Sua vida se caracterizou por profundas amizades con homens jovens.

O caso de Louie B. Felt (1850-1928) e May Anderson (1864-1946) é todavia mais singular. Louie era a Presidente Geral da Primária. Quando tinha 33 anos conheceu a May, que acabava de imigrar da Inglaterra e tinha 19 anos. Foi um "amor a primeira vista". Louie e May se tornaram em íntimas amigas, viveram juntas por uns trinta anos, e dormiam na mesma casa. Em 1890 Louie chamou a May como secretaria geral da Primária e em 1905 como primeira conselheira. As duas mulheres se amavam profundamente e não tinham vergonha de admitir seu amor.

Em 1942 Heber J. Grant chamou a Joseph F. Smith (1899-1964) como patriarca presidente da Igreja. Joseph era neto do presidente Joseph F. Smith e sobrinho do presidente Joseph Fielding Smith. Ademais, o Patriarca Smith era homossexual. Na década de 1920 havia mantido uma relação homossexual com Norval Service, quando Joseph era instrutor na Universidade de Utah e Norval era um dos alunos. Mais tarde teve uma relação homossexual com outro jovem mórmon. Em 1946 o jovem confessou a relação e o Presidente George Albert Smith desobrigou ao Patriarca Smith de imediato. Ainda que o enviaram "ao exílio" no Hawaii e lhe proibiram ter chamados, nunca o excomulgaram da Igreja. Em 1957 o reabilitaram na Igreja e lhe permitieram ter chamados e usar o sacerdócio.

D. Michael Quinn tem um doutorado em história e há sido um dos professores mais destacados da Universidade  Brigham Young, onde ensinou até o  ano de 1988. Há escrito livros, artigos, e ganhado prêmios por seu destacado labor profissional. Seu livro A dinâmica entre pessoas do mesmo sexo há sido publicado pela University of Illinois Press.

 

 

 

 

 

 

 

 


Evan Stephens (sentado), junto a sua ama de chaves e Noel S. Pratt, um de seus companheiros

 

 


May Anderson e Louie B. Felt

 


O Patriarca Presidente da Igreja
Joseph F. Smith

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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