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“Que a obra do Senhor prospere”: A incrível história de Joseph Fielding Smith, patriarca presidente da Igreja

 

 

Joseph Fielding Smith, Patriarca Presidente da Igreja que foi desobrigado de seu cargo por sua atividade homossexual

 

 

Compilado por Hugo Salinas    

Setembro de 2005


Graças as investigações realizadas por autores tais como Connell O'Donovan, D. Michael Quinn, Irene Bates, E. Gary Smith, e Gary James Bergera, hoje conhecemos em detalhe a incrível história do Patriarca Joseph Fielding Smith. Para realizar esta compilação consultei diversas fontes, porém sobre tudo dois artigos preparados pelo escritor Connell O'Donovan, "Chronology of Events on Patriarch Joseph Fielding Smith’s Homosexualitye "'The Abominable and Detestable Crime Against Nature': An Expanded History of Homosexuality & Mormonism, 1840-1980". Lhe agradecemos profundamente a Connell por seus anos de dedicação em investigar esta parte tão importante de nossa história.

Smith exerceu a função como patriarca presidente da Igreja Mórmom entre 1942 e 1946. Em 6 de outubro de 1946 o Patriarca Smith foi jubilado pelo que os líderes da Iglesia calificaram de "enfermidade", e enviado ao exilio no Hawai. Porém a verdade é que a única enfermidade padecida pelo Patriarca Smith era o resultado do sofrimento por haver escondido por anos sua identidade homossexual. 

O Patriarca Smith nasceu em  30 de junho de 1899 em Lago Salgado; era o filho mais velho de Hyrum Mack Smith e Ida E. Bowman, neto do Presidente Joseph F. Smith, e portanto sobrinho do Presidente Joseph Fielding Smith.  

Entre 1924 e 1925 Smith havia viajado a Illinois e Inglaterra para completar um mestrado em teatro e oratória. Após seu regresso, Smith, que era solteiro e de 27 anos de idade, foi nomeado instrutor de teatro e oratória na Universidade de Utah. Segundo Cynthia Blood, que tomou classes com Smith, na universidade "todos sabiam que Maud May Babcock e Joseph F. Smith eram gays" e ambos professores dejavam paquerar com os alunos. Em 1926 Smith começou uma relação íntima com Norval Service, um joven seis anos mais que ele que era atleta e estudava na universidade. 

Aparentemente a relação com Norval Service continuou até 1929, o ano em que Smith contraiu matrimônio com Ruth Pingree. Service se casou um ano mais tarde, porém nunca teve filhos.

Em 1942, após uma década sem patriarca presidente da Igreja, o Presidente Heber J. Grant ordenou a Joseph Fielding Smith a este cargo. Alguns mórmons se surpreenderam ao ouvir o anúncio, porque sabiam que Smith era gay e tinha relações com outros homens. De fato, nesta época Smith tinha ou havia tido relações íntimas com outro homem: Byram D. Browning, que havia sido aluno da Universidade entre 1942 e 1943 e logo havia servido na Armada dos Estados Unidos entre 1943 e 1946.

Em 1946, os líderes da Igreja convidaram a Byram a que enviara os papeles para sair como missionário. Porém Lorenzo D. Browning, havia descoberto que seu filho havia mantido uma relação íntima com nada menos que o patriarca presidente da Igreja, de 46 anos de idade. O pai pediu uma audiência com a Primeira Presidência, então composta por George Albert Smith, J. Reuben Clark e David O. McKay 

Em 10 de julho de 1946 o Presidente George Albert Smith escreveu que se sentiu "desconsolado" ("heartsick") ao informar-se da atividade homossexual do Patriarca Presidente, que era seu primo distante. O Presidente Smith escreveu que a situação lhe havia produzido "uma grande comoção a mim e a meus irmãos". 

Apesar da gravidade da acusação contra o Patriarca Smith, a Primeira Presidência decidiu não excomulgá-lo. O desobrigou da maneira mais discreta possivel, alegando problemas de saúde, e o enviaram ao exílio a Honolulu, no Hawai, com toda sua família, para ensinar teatro na Universidade que a Igreja havia estabelecido ali. Lhe indicaram ao presidente da estaca de Honolulu que não lhe permitieram dar discursos nem lhe extenderam nenhum chamado. 

Esta é a carta que o Patriarca Smith  enviou a George Albert Smith:

Querido Presidente Smith:

Como bem sabe, faz muitos meses que estou enfermo. Ainda que estou lentamente recobrando a força, e espero poder trabalhar um pouco no futuro, não sei se vou  poder me recuperar, nem quando, as energias inerentes ao ofício de Patriarca da Igreja.

Como você sabe, os deveres do Patriarca trazem casada uma carga de trabalho mui pesada. Devido a que um só homem ocupa esse ofício, se tal pessoa se acha consideravelmente incapacitada, a tarefa fica sem realizar-se.

Eu bem sei que alguém não renúncia nem pede para ser desobrigado de tal chamado por razões de pura conveniência pessoal, do mesmo modo que alguém não pede para receber esse chamado. Meu mais fervoroso desejo é que a obra do Senhor prospere.

Em vista de tudo isso, lhe escrevo para dizer-lhe que, se você deseja que continue, farei tudo o que possa. Porém se você sentir que a Igreja se beneficiaria se me desobrigaram nesta ocasião, quero que você se sinta em liberdade de desobrigar-me. Lhe estou escrevendo esta carta para que você saiba que tem meu completo apoio seja qual for sua decisão.

Estou agradecido pela bondade do Senhor a mim e aos meus.

Continuo orando para que o Senhor derrame suas mais ricas bençãos sobre você.

Seu irmão,

Joseph F. Smith 

Entre 1952 e 1954 John Reese, que vivia em Honolulu na mesma estaca que Joseph e Ruth Smith, se fez amigo da família, especialmente da esposa Ruth. Ruth lhe revelou a John a verdadeira razão do exilio em que la família vivia no Hawai: Joseph Fielding Smith era homossexual e havia tido relações com vários homens, incluiendo um homem cujo nome de pila era Wallace, colega de Smith na Universidade de Utah.

Em 1957, após haver "realizado uma confissão completa perante sua esposa e  perante  a Primeira Presidência", o Presidente David O. McKay autorizou aos líderes eclesiásticos de Honolulu a que lhe extendessem chamados ao ex-Patriarca Smith. Devido a que nunca havia sido excomulgado e nem sequer suspendido, não se necesitou realizar nenhuma outra ação eclesiástica para reabilitar a Smith. Ao pouco tempo, Smith começara a exercer a função como sumo conselheiro de sua estaca.

Em 13 de abril de 1958 Ruth Pingree Smith lhe enviou uma carta ao Presidente David O. McKay agradecendo-lhe que o marido agora pode servir na Iglesia. Ruth escreveu, "Eu sei melhor que ninguém a tremenda prova que nossa familia há constituido para você e para as autoridades [da Igreja]."

De volta de seu exilio no Hawai, Smith morreu em 29 de agosto de 1964 em Lago Salgado. O enterraram no cemitério de Lago Salgado, onde também está a tumba de Norval Service, um de seus amantes.

Depois de viver por anos na Califórnia do Sul e em São Francisco, Byram D. Browning também terminou no Hawai, onde está internado em uma clínica geriátrica para pacientes com Alzheimer.

Bibliografía:

Bates, Irene, & E. Gary Smith. Lost Legacy: The Mormon Office of Presiding Patriarch (Urbana : University of Illinois Press, 1996).

Bergera, Gary James, "Grey Matters", 7th East Press, 27 de novembro de 1982, p. 15.

Bergera, Gary James, "Love, Sex, and Transgression: Approaching the Unapproachable in Mormon Biography," Salt Lake City, Sunstone Symposium, 30 de julho de 2005, Seção #351.


O'Donovan, Connell, "Chronology of Events on Patriarch Joseph Fielding Smith’s Homosexuality".

O'Donovan, Connell, "'The Abominable and Detestable Crime Against Nature': An Expanded History of Homosexuality & Mormonism, 1840-1980".

Quinn, D. Michael, Same-Sex Dynamics among Nineteenth Century Americans: A Mormon Example
(Univ. of Illinois, 1996), pp. 369-371.

Quinn, D. Michael, The Mormon Hierarchy: Extension of Power (Signature Books, 1997), pp. 127-128.

 

 

A tumba do Patriarca Presidente Joseph Fielding Smith e sua esposa Ruth Pingree no cemitério de Lago Salgado.

 



 

A tumba de Norval M. Service, um dos amantes do Patriarca Smith, no cemitério de Lago Salgado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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