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por Daniel Collino
Março de 2007
Como novo integrante de Afirmação, se me pediu que contasse
minha experiência como ex-missionário e mórmom gay, não sabia
onde começar, assim que me decidi começar pelo princípio.
Conheci a Igreja e me batizei aos 15 anos, sempre fui ansioso
por dar o seguinte passo, assim que desde essa idade me preparei
para sair para a missão, o que fiz pouco depois de fazer 19
anos, fiz uma boa missião na Argentina Bahía Blanca, não
obstante tinha bem claro qual era minha orientação sexual.
Tinha muitas condições para a liderança, e a pouco tempo de
iniciada a missião fui chamado como líder de distrito. Nessa
época tive um companheiro com o qual me vi envolvido
sentimentalmente e chegamos a ter um leve contato físico, sem
passar a maiores. Meu companheiro, arrependido, fui ao
presidente e confessei, fomos chamados para uma entrevista e o
presidente me disse que havia considerado em uma desobrigação desonrosa
para mim, porém pensando que eu podia me recapacitar e mudar "minhas
tendências" pensou que deixar-me na missão seria uma boa opção, claro
que sem ninhum chamado de liderança, visto que por ser
homossexual não me correspondia o privilégio.
Cheguei ao final da missão ocultando meus sentimentos e sendo "bom"
missionário e obtive minha desobrigação honravel.
Voltei pra casa e trabalhei na Igreja. Eu sentia vergonha do que
só eu sabia que me passava, porém a força que havia em meu
interior empurrava muito mais do que podia resistir. Servi como
líder alguns anos e me selei aos meus pais no templo, creio que
necessitava fazer isso antes da iminente excomunhão por ser gay.
Um ano, se batizaram um grupo de rapazes gays. Eu buscava
juntar-me com eles, até que com um deles passou algo. Nessa
época havia uma mulher membro da igreja, que se havia apaixonado por
mim e tratou por todos os meios de conquistar-me atirando-se
literalmente em meus braços. A recusei imediatamente e logo de
uma conversa, ela entendeu o que passava, porém para fazer-me um
"bem" falou com o bispo, o bispo falou com sua esposa, sua
esposa com sua amiga e… já sabem todos como terminam estes
segredos as vezes.
Antes que chegasse aos ouvidos de minha mãe resolvi ter uma
conversa pessoal com ela e lhe contei acerca de minha orientação
sexual. Ela não aceitou muito bem, porém me ofereceu todo seu
carinho e apoio.
Em pouco tempo fui chamado a um tribunal de estaca e mediando
umas poucas palavras fui excomulgado. Passada esta tormenta
segui assistindo a igreja, aguentando conselhos de pessoas que
não pode com sua vida e querem cuidar das dos demais, e por
minha forma de ser nunca lhes parei o carro. Passaram os anos, já
não sou mais a novidade, a "ovelha desgarrada", e
(afortunadamente) agora ninguém se lembra de dar-me conselhos.
Sou pianista no ramo a que assisto. Antes como excomulgado não
podia nem aproximar-me ao piano, porém parece que as coisas se
relaxaram bastante. Assisto ao instituto de religião e vou as
convenções dos adultos solteiros.
Tennho 41 anos de idade, sigo assistindo as reuniones, creio
haver-me ganhado o respeito e meu lugar na Igreja, hoje em dia
até me participam em opiniões. Ninguém me voltou a falar do
porquê não estou casado ou domatrimônio no templo, creio que ao
ver minha integridade como pessoa é quando mais me respeitam e
querem.
Se bem que todavia estou trabalhando em conciliar minha fé com
minha orientação sexual, creio que é possível: Simplesmente
termos que ter claro que é o que queremos. Deus nos ama e nos
abençoa, somos seus filhos, e creio que o dia do juízo não é
precisamente nossa orientação sexual o que vai pesar, senão os
honrados, íntegros e de bom coração que fomos em vida e o bem
que fizemos a outras pessoas.
Se este relato há sido de alguma ajuda para meus irmãos que
todavia sentem culpas por simplesmente amar de uma maneira
diferente, creio que hei levantado a bom porto e me posso dar
por satisfeito. Obrigado a Afirmação por haver-me oferecido este
espaço para compartilhar minha experiência e sentimentos.
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